sexta-feira, 17 de julho de 2009

Arqueologia Brasileira -SAMBAQUIS DA BARRA DA TIJUCA RJ

Arqueologia Brasileira
Atualizada 29/01/2003
Exatamente na Barra e no Recreio dos Bandeirantes - RJ, sítios arqueológicos descobertos na década de 60, foram destruídos pelo progresso desordenado. Infelizmente parte da história da América está perdida para sempre.
Nos anos 70, quando ainda era estudante a arqueóloga Teresa Portella, do Museu Nacional da UFRJ, viveu uma experiência reservada a poucos: junto com alguns colegas do curso e um professor da antiga Faculdade Marechal Rondon, escavou parte de um sambaqui - sítio arqueológico construído por povos pré-históricos - na Barra, num terreno próximo à Praça do O.
" Trabalhamos durante quatro finais de semana e conseguimos descobrir um esqueleto adulto e outro de criança, com pelo menos mil anos ", Lembra a arqueóloga de 47 anos, lamentando o fato de o lugar estar hoje debaixo do concreto de vários prédios.
Registros arqueológicos viraram cal
O desaparecimento deste sambaqui está longe de ser um caso isolado. Acredita-se que praticamente todos os sítios arqueológicos descobertos na década de 60 na Baixada de Jacarepaguá tenham sido engolidos pelo progresso antes de serem estudados científicamente. " Pesquisamos a região entre 1965 e 1966 e, à medida que íamos achando os sítios , eles eram registrados. Sabíamos que o progresso era iminente com o plano de Lucio Costa, mas, como havia pouca verba, pouca gente e muito a ser feito, tivemos que continuar o trabalho em outras regiões", conta Ondemar Dias, 59 anos, historiador e um dos participantes do Pronapa, o Programa Nacional de Pesquisa Arqueológica, que há mais de 30 anos promoveu um boom de descobertas arqueológicas por todo país. Segundo Ondemar, especialista do IAB( Instituto de Arqueologia Brasileira), os sítios da baixada de Jacarepaguá - sambaquis, acampamentos pré-históricos, aldeias indígenas e uma gruta - eram superficiais, o que teria levado os pesquisadores do IAB e do museu Nacional a priorizar sítios mais bem conservados em outras partes do estado do Rio. " A exploração do solo nos séculos anteriores peos engenhos de açúcar da Baixada de Jacarepaguá contribuiu muito para o desgaste dos registros arqueológicos ", explica o historiador, acrescentando que os sambaquis foram os principais alvos da degradação por serem formados de conchas, usadas antigamente nas fábricas de cal e na pavimentação de estradas. Rosana Najjar, arqueóloga do Iphan - Instituto de Patrimônio Histórico Nacional - órgão que gerencia os sítios arqueólogicos do país e autoriza suas escavações, não espera encontar muitos resquícios dos sítios abandonados depois de descobertos pelo Pronapa na Barra, Recreio e Jacarepaguá. Mesmo assim, planeja procurar os locais para recadastrá-los. " Mesmo que a maioria não exista mais e enm tenha sido estudada cientificamente, é importante saber que esses locais um dia existiram. Assim poderemos fazer um mapeamento preciso da ocupação antiga da área ", acredita Rosana, que aguarda verbas federais para tirar o projeto do papel e não esconde a esperança de que algum órgão de pesquisa se interesse em estudar o Parque Chico Mendes. Suspeita-se que a área de proteçcão ambiental no Recreio guarde alguns sambaquis ainda intactos.
Onde ficavam os sítios
SAMBAQUI DA LAGOA DE MARAPENDI Entre as Lagoas de Marapendi e Jacarepaguá, foi aterrado em 1974 para a construção de condomínios.
SÍTIO SAMBAQUI DO CANAL Ficava na confluência da Rua Paranho Antunes com a Rua Coronel Eurico de Souza Gomes Filho, num terreno próximo à Praça do O, na Barra, onde hoje existem edifícios. Os pesquisadores encontraram na época da identificação restos de alimentos, lascas de pedra, ossos e conchas.
SAMBAQUI DOS MILAGRES Na subida para a Prainha, ao final do Caminho do Rangel, no Recreio, onde hoje vêem-se construções ilegais. Na época, foram achados no sambaqui ossos e pedras.
CAETÉS Esse pequeno sambaqui de 60 centímetros de altura estava na antiga Estrada da Prainha, a cerca de 400 metros da onta sobre o Canal de Sernambetiba. Antes de desaparecer debaixo da Estrada do Canal, guardava requícios de utensílios de pedra, cerâmica, indicando a presença no local de tribos ceramistas.
SAMBAQUI BEIRA DA ESTRADA O sambaqui, no qual foi encontrada uma camada compacta de conchas, além de artefatos de pedra, ficava a 400 metros do Clube Fazenda Marapendi, na Barra, até ser destruído pela passagem da Rodovia Rio Santos.
QUEBRA-MAR Segundo o historiador Ondemar Dias, do instituto de Arqueologia Brasileira, podem ser encontrados na área diversos utensílios típicos de sambaquis, como polidores, lâminas de machado e lascas cortantes de quartzo. É possível que o Quebra-Mar tenha sido construído em cima de um sítio arqueológico.
GRUTA DA FUNDIÇÃO Continua até hoje na base do morro do Rangel, no Recreio. Acredita-se que a ocupação de grutas tenha relação com os sambaquieiros. Nos anos 60 foram encontrados na Gruta da Fundição artefatos de concha e pedra.
SÍTIO DO RANGEL O historiador Ondemar Dias conta que no final da Praia da Macumba, sua equipe achou material cerâmico de índios tupi-guarani. Segundo ele, é raro encontar vestígios de aldeias indígenas dos séculos XIV e XV. O lugar hoje é um estacionamento. ( ou melhor era)
SÍTIO DA CAVEIRA Pode ter sido um acampamento de grupos nômades pré-históricos. No local, foram achados ossos e pedras roladas. Ficava a 800 metros da estrada Rio Santos, no terreno ocupado pelo Aeroporto de Jacarepaguá.
Quem eram os povos dos sambaquis
Dos oito sítios arqueológicos descobertos nos anos 60 na baixada de Jacarepaguá, cinco eram sambaquis. Espécie de morros que mediam de dois a 30 metros de altura, eram construídos e habitados por grupos sociais pré-históricos de pescadores, coletores que se instalaram no litoral brasileiro há pelo menos seis mil anos vindos provavelmente do sul da América do Sul. " Esses grupos eram sedentários eram dependentes dos recursos aquáticos e por isto escolhiam as regiões próximas de lagoas para viver", diz Maria Dulce Gaspar, 44 anos, pesquisadora de sambaquis do Museu Nacional da UFRJ. Ela explica que os sambaquieiros viviam em cima das elevações que tinham média de 90 metros de extenção e de onde podiam controlar o terreno em volta, que provavelmente incluia outros sambaquis. Os sítios eram foramdos pelo acúmulo gradual e sistemático de conchas, restos alimentares, adornos e diversos tipos de utensílios do dia-a-dia, como lâminas de machado, lascas cortantes, pontas e anzóis de osso e conchas perfuradas usadas como raspadores. As marcas de estca encntradas em vários sambaquis indicam que os povos construíam casas para viver. Nos morros também eram realizados sepultamentos. Muitas dessas escavações feitas nesse tipo de sítio em diversas partes da costa brasileira revelaram esqueletos de indivíduos de até 35 anos com ossadas pintadas e às vezes cercados de estacas e adornos. Não se sabe bem a causa do desaparecimento dos povos que habitavam os sambaquis. A hipótese mais provável é que tenham sido dizimados há cerca de mil anos em disputas por território ou então incorporados pelas tribos guerreiras provenientes do interior do país que ocupavam toda a costa brasieleira na época no Descobrimento.

Fonte: Jornal O Dia - 18/07/1999 - Paula Germann

Um comentário:

  1. Acho que os sambaquis são uma rotina no entorno das orlas marítimas do brasil. Aqui em Florianópolis, há muitos destes sitios arqueológicos... no meu entender, era um 'lixão", onde os indios usavam para poderem 'deixar' as sujeiras dos peixes e tambéms dos frutos marítimos, como: ostras, mexilhões, berbigões, siris e afins...continue postando...

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